O Aqueduto dos Pegões: o abastecimento de água que um rei espanhol construiu para a Ordem de Cristo
Quem o construiu, e porque é a parte interessante
O mecenas é o facto que merece destaque. Filipe II de Espanha governou Portugal como Filipe I, e encomendou este aqueduto como Mestre da Ordem de Cristo — a ordem que herdara os castelos dos Templários dois séculos e meio antes. A entidade portuguesa do património confirma o mecenas nas suas próprias palavras: “O aqueduto dos Pegões, extraordinária obra de engenharia hidráulica, deveu-se a Filipe II de Espanha.”
Leia esta frase ao lado da fundação do local e toda a história deste sítio está nela. Um oratório redondo erguido por monges guerreiros numa fronteira em 1160; quatro séculos depois, um rei Habsburgo detendo o mestrado da sua ordem sucessora e gastando-o em engenharia hidráulica. A ordem sobreviveu tempo suficiente para se tornar algo que um monarca estrangeiro desejava liderar (como chegou lá).
As datas, e porque são décadas aqui
Terzi projetou-o na década de 1580. A construção começou na década de 1590 e terminou na de 1610; a água foi canalizada para o claustro principal alguns anos depois. Quando Terzi morreu na década de 1590, a obra passou para Fernandes de Torres, e mais tarde para Diogo Marques Lucas. Do projeto à conclusão são cerca de trinta anos; apenas a construção demorou cerca de vinte.
Esses períodos são apresentados aqui como décadas em vez de anos por uma razão que vale a pena mencionar: os anos exatos estão bem documentados no ficheiro de pesquisa deste site, mas não no ficheiro de factos contra o qual todos os números destas páginas são verificados, e um número que não pode ser verificado não é impresso como se pudesse ser (como este site lida com isso).

A contagem dos arcos, e o erro que quase todos cometem
Onde o aqueduto atravessa o vale dos Pegões, assenta em 58 arcos redondos apoiados em 16 arcos ogivais. Esta é a secção em todas as fotografias e é a parte que vale a pena ver.
Também encontrará um número de cento e oitenta arcos, e um comprimento total de pouco mais de seis quilómetros, e uma referência a quatrocentos metros, tudo no mesmo parágrafo nas mesmas páginas. Esses números não podem descrever todos o mesmo objeto: uma arcada de algumas centenas de metros não é um canal de seis quilómetros. A leitura segura é que as contagens de arcos descrevem a travessia do vale em arcada e os seis quilómetros descrevem todo o canal. Este site, portanto, cita as contagens de arcos como a secção do vale e nunca escreve uma frase que implique que o aqueduto é em arcada ao longo de todo o seu comprimento. O desnível de uma extremidade à outra é de pouco mais de vinte e seis metros, e quatro nascentes o alimentavam.
Se estiver a conduzir para Tomar em vez de apanhar o comboio, o aqueduto é o argumento a favor do carro. Fica fora da vila, é gratuito para ver, e não é razoável chegar lá a pé a partir do convento. Um passeio de um dia sobre a história dos Templários neste catálogo inclui uma paragem no Aqueduto dos Pegões no seu próprio itinerário, e uma visita privada leva-o entre o convento, o castelo, duas igrejas, a sinagoga e o aqueduto — mas leia atentamente, porque a sua própria informação "saiba antes de ir" diz que a taxa de entrada do convento não está incluída (a coluna de admissão).
Vale a pena o desvio?
Se tiver carro e uma hora, sim. Se estiver num autocarro saindo de Lisboa e o dia já incluir um convento e um castelo numa ilha, não sentirá a falta. O que o aqueduto oferece e o convento não oferece é escala na paisagem: uma comunidade monástica no topo de uma colina precisava de água trazida de quilómetros de distância, e alguém com um reino por trás decidiu que valia a pena fazê-lo. O edifício pelo qual pagou quinze euros para percorrer não poderia funcionar sem ele (o resto do percurso).
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Seguinte: a ordem que o possuía, o claustro para onde a água foi canalizada, e como chegar a Tomar com ou sem carro.
Perguntas frequentes
O que é o Aqueduto dos Pegões?
O aqueduto que abastecia de água o Convento de Cristo em Tomar. Foi encomendado por Filipe II de Espanha na sua qualidade de Mestre da Ordem de Cristo, projetado por Filippo Terzi e construído ao longo de cerca de duas décadas, a partir da década de 1590.
Quantos arcos tem o aqueduto dos Pegões?
Onde atravessa o vale dos Pegões, assenta em 58 arcos redondos apoiados em 16 arcos ogivais — a secção em todas as fotografias. Também circula um número total maior de arcos, que descreve mais do que a travessia do vale. O aqueduto não é em arcada ao longo de todo o seu comprimento.
O Aqueduto dos Pegões está incluído no bilhete do Convento de Cristo?
Não. Fica fora da vila, é uma visita separada e é gratuito para ver. Na prática, precisa de carro, embora um passeio de um dia sobre a história dos Templários neste catálogo inclua uma paragem lá no seu itinerário e uma visita privada o leve até lá.
Quem construiu o aqueduto dos Pegões?
Filippo Terzi projetou-o como arquiteto-mor de Portugal, para Filipe II de Espanha, que detinha o mestrado da Ordem de Cristo. Após a morte de Terzi, a obra passou para Fernandes de Torres e mais tarde para Diogo Marques Lucas.
Qual é o comprimento do aqueduto dos Pegões?
Pouco mais de seis quilómetros de canalização, com um desnível de pouco mais de vinte e seis metros de uma extremidade à outra, alimentado por quatro nascentes. Apenas parte desse comprimento é a famosa arcada, razão pela qual contagens de arcos e comprimentos totais na mesma frase geralmente descrevem duas coisas diferentes.